::: pai espelho :::

A chegada de um filho não transforma apenas a nossa vida. Ela muda, por assim dizer, nossa posição no universo. O primeiro chorinho desperta capacidades que nem sequer suspeitávamos possuir. A mais importante é a de amar, que se amplifica espetacularmente. A segunda, mais sutil mas igualmente mágica, é a possibilidade de, ao preparar nossos filhos para os pequenos e grandes embates da vida, extrairmos lições valiosas sobre nós mesmos. Em sua infinita fragilidade, filhos geralmente nos tornam pessoas mais fortes.

Sempre me comoveu a tênue condição humana. Pelos padrões severos a natureza, somos criaturas absurdamente frágeis. Um filhote de girafa, por exemplo, ao nascer, despenca de quase 2 metros de altura e se esborracha no chão feito um pacote viscoso. Em questão de segundos, porém, o filhote ergue-se nas quatro patas e começa a mamar. Ainda precisará um bocado da mãe para sobreviver, mas, em suas linhas mestras, aquele animal está pronto para a vida.

Nós, seres humanos, não. Quanto
tempo leva um bebê até ser capaz de
cuidar de si mesmo? Meses? Anos?
Décadas? Quanto tempo sobreviveria se
entregue à própria sorte? Dias... Horas,
talvez. Quando finalmente ultrapassamos
as barreiras de natureza fisiológica, vêm à
tona as demandas afetivas. No caso dos
filhos, supri-las adequadamente é o
grande desafio de pais e mães.

Queremos, acima de tudo, que nossos filhos sejam felizes. Com o mundo que os cerca e principalmente consigo próprios. Uma criança com a auto-estima em dia é meio caminho andado para um adulto saudável. Mas a estrada é longa. Em seu best seller A Auto- Estima do seu Filho, a psicóloga infantil Dorothy Corkille explica esse processo com uma metáfora tocante: a teoria dos espelhos. Segundo ela, as crianças constróem sua identidade a partir das imagens de si mesmas que vêem refletidas nos outros. Os primeiros espelhos são os rostos e olhares dos pais e as emoções que sua mera existência provoca neles. Os pais são um espelho psicológico no qual os filhos se vêem; as crianças edificam-se interiormente em função do que observam de si mesmas no reflexo e nas reações que identificam nos pais e, com o tempo, nas pessoas próximas.

É vital que esse jogo reflita equilíbrio. Pais permissivos demais, que acham tudo lindo em seus filhos, acabam construindo ególatras, criaturas aparentemente felizes consigo próprias, mas no fundo inseguras quanto ao próprio valor. Diz Dorothy:“A auto-estima é, sobretudo, um respeito silencioso por si mesmo, a consciência do próprio valor”. Conduzir os filhos a esse estágio requer uma combinação sábia de amor e limites. É preciso saber diferenciar a criança de seu comportamento. Você ama seu filho por aquilo que ele é. E, por isso mesmo, deve corrigi-lo naquilo que faz.

Praticada com sabedoria, essa diferenciação tem tudo para criar outro espelho. Nele, vemo-nos refletidos em nossos filhos. Ao tentar guiá-los pela vida, terminamos, muitas vezes, chegando a nós mesmos.

::: dias melhores :::

by rogério flausino
Vivemos esperando Dias melhores
Dias de Paz
Dias a Mais
Dias que não deixaremos para traz

Vivemos esperando
O dia em que seremos melhores
Melhores no Amor
Melhores na Dor
Melhores em Tudo

Vivemos esperando
O dia em que seremos
para sempre
Vivemos esperando
Dias Melhores pra sempre
Dias Melhores pra sempre

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